Show do Bon Jovi – Parte I

E aí ontem, na fila que ia indubitavelmente do Rio até a nova Zelândia (no mínimo), para comprar o ingresso para o show, uma dessas garotas estranhas (regularmente eu não falaria deste modo, mas ei, foi ela quem começou) com uma camiseta dos Ramones, olha para uma Fulana que estava usando um visivelmente invejadíssimo óculos da Gucci, vira para a sua amiga Srta. Esquisita II e furiosamente diz: “Vai ter um monte de patricinha neste show”. Ah, dude, me pega lá no calcanhar de Aquiles. Eu, que não sou uma coisa nem outra, que já tive a minha boa dose de ser gótica, grunge, patricinha, punk (só não peguei a fase Emo – luckily, pois meu alisamento não comporta o estilo), fiquei com uma coceirinha de responder: “E pelo visto vai ter também um monte de gente bizarra, fedorenta e que não lava o cabelo”.

Eu não sou assim tão má. Juro. Tampouco sou uma ferrenha defensora de patricinhas ou anti-roqueiros, como disse: been there, done that. Mas pré-conceito é uma coisa que acredito que quem tem, deve levar de volta, só para aprender a não ser desagradável e entender que não é nada bonitinho. 

Além disso, se ela não admite que uma figura que curte Beyoncé goste de Bon Jovi, bom, eu confesso que também não consigo enxergar Ramones cantando vigorosamente “Always”.

 

As pessoas tem cada coisa…  

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As pessoas-gato.

Vou polemizar logo cedo: já que estamos no assunto “gatos” aqui no blog, eu tava aí pensando nessas pessoas que odeiam gatos. Antes de tudo eu já vou falando que eu gosto de cachorros, ok? Eu inclusive tenho um, pelo qual eu já lutei mais causas do que o Greenpeace pelas baleias. Juro. Mas anyway, daí tem essa gente toda que quando a gente diz que tem gato, logo saem olhando com cara de quem tomou um martelinho de cachaça da pura (aposto que você sabe qual é) e disparam o famoso chavão: “eu não gosto de gatos, gatos são traiçoeiros“. Aí pronto. Já pega no meu calcanharde Aquiles e eu já fico lá por duas semanas e três dias deslanchando o meu discurso “vote gato“.

É engraçado até ouvir os motivos (são sempre os mesmos):

  • Pode ser: “ele não vem quando a gente chama“. Evidente que não! Porque ele haveria de vir porque você quer? O nome disso pra mim é vontade própria. Só que o que as pessoas-cachorro querem é submissão. Quando ele quiser vir, ele vem, ora. E isso só prova que eles são inteligentes e não bobalhões. Mas aí as pessoas transferem o desejo frustrado que tem na relação com os humanos para os pobres cãezinhos: “ele sim sempre vem quando eu chamo”. Deal with your own problems.

 

  • Ainda tem o: “não é um bicho carinhoso“. Depois de tudo o que eu falei ali em cima, preciso mesmo defender este ponto? Tá bom. Eu sei que agora eu vou cutucar a onça com vara curta, mas tenho que dizer: Gente, a necessidade não é do cachorro não, é de vocês.

 

  • Ou o: “gatos são interesseiros“. Como qualquer outro animal. O seu cachorro sentado aí ao lado da cadeira enquanto você me lê, tá querendo o quê? Dormir no seu pé porque você é bonitinho? Quando você levantar ele vai se botar de pé em um pulo e esperar: 1. um biscoito 2. um carinho 3. comida. A única diferença é que os gatos não dependem da gente para sua sobrevivência.

 

  • E agora, o melhor: “gato não é confiável“. É. Não. É por isso que é considerado um animal doméstico, né? Jacarés é que são. Deixa eu dizer, quem não é confiável são os humanos. Aqui se aplica bem o “gato escaldado tem medo d’água”. Até o momento de um gato pegar confiança em você, ele vai rosnar sim, vai se esconder sim e talvez possa até atacar sim. Assim como é instintivo de qualquer animal do globo terrestre.  

Mas tudo isso foi para dizer que eu AMO as pessoas-gato. Não por terem gato, não. É só uma coisa meio supersticiosa que eu tenho que olho de longe e sei direitinho quando é uma delas. Pessoas-gato geralmente tem um misto de maluquice e introspecção, uma inteligência que o olho brilha, são criativas e independentes, diferentes e interessantes. Facilmente reconhecidas por seus nomes constarem na mesma frase que as palavras: “personalidade forte”. É como se viesse com uma plaquinha: “Aqui se cria, aqui se é”. Adoro.

Seguem aí alguns famosos e seus gatinhos :)

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Minha gatinha de volta…

 

A Nala sumiu. Eu não sei se ela pulou da janela ou se saiu correndo pela porta sem vermos. Mas fato é que desde terça à noite ela não aparece e eu estou num estado de arrasação muito grande. E com isso, resolvi usar um pouco de “O Segredo“:

Hoje chego em casa e a Nala estava me esperando sentadinha no capacho em frente à porta da cozinha, eu saio correndo mas sem gritar, com medo que ela se assuste. Eu pego ela no colo e encho ela de beijos de Felícia, carregando no colo com cuidado, porque vi que ela chegou um pouquinho estrupiada, deve ter brigado com algum gato na rua, penso eu. Levo ela para dentro, encho o pote de comida com a Nala ainda no meu colo, e sento do lado dela pra ver ela comer como se tivesse passado uma temporada na Etiópia. Pego um paninho pra limpar um os sujos e ver a dimensão dos machucadinhos. Depois digo pra ela que ela é uma insensível de fazer uma coisa dessas com a sua mãe e que se ela fizer isso de novo que ela nem queira estar por perto para ver o bicho que vou virar e que está de castigo até um dia depois de sua morte. Fecho todas as janelas e portas e vou me deitar com a Nala nos meus pés, quentinha, dengosa. Aí ela levanta, vem me furar a barriga enquanto se acomoda, lambe meu nariz e dorme roncando como todos os dias.

É isso que espero que vá acontecer hoje quando eu chegar em casa. Não quero que me mandem comentários tristes, ok? Me mandem só comentários com boas energias (usem “O Segredo” que nem eu), porque estou com muita fé.

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Constatações reticentes…

 

1. Se 60% das pessoas votantes em reality shows ainda cultuam a estupidez (e com isso quero dizer grosseria), nada pode ir pra frente mesmo. Como diz Millôr: “no Brasil, quem anda sempre na linha, o máximo que consegue é ser apanhado pelo trem”…

2. Esses dias vendo o jornal na tevê e tinha uma Doutora X, não gravei mesmo o nome, mas gravei bem o que ela disse: “a gripe é mais perigosa do que a vacina”. Logo…

3. Pensando no nojo que algumas pessoas tem de drag queens só porque eles gostam de se vestir de mulher. Mas depois tá toda essa gente aí, se disfarçando de emo, de gótico, de hippie, de rapper, de patricinha, de mamãe-eu-sou-fortinho. Como se uma coisa não fosse a outra…

4. Teenagers. Agora me ferraram de vez. Não bastasse ter uma cara de pré-adolescente, agora tenho que andar cuidando a meleca da cor da pulseira que eu quero usar… 

4.1. O mais engraçado é pensar que o povinho de hoje depravou as pulseirinhas que existem há meio século…

5. Olhando essas coisas da moda, que nem calças saruel, sabe? Fiquei refletindo, sinceramente, quanto eu cobraria para usar, com 26 anos, uma calça com o look igualzinho ao que eu vou ter quando precisar de fraldas geriátricas…

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A mãe d’agente…

 

A mãe d’agente sempre espera um post em sua homenagem, certo?

E com isso, sei que a minha mãe anseia ansiosamente por um post-homenagem (ficou lindo isso néam?). E eu poderia escrever mil coisas… Poderia escrever sobre toda as vezes que ela me suportou. No sentido real e no sentido metafórico disso. Poderia escrever sobre quantas vezes nós brigamos e nos despimos de nós mesmas para provar que uma coisa é melhor que a outra ou vice-e-versa e tudo conta. Poderia falar do trabalho que dei pra ela quando era adolescente (costumo dizer para as minhas amigas que jamais gostaria de ter uma filha como eu). Poderia falar do quanto fui adulta antes do tempo, e cobrei dela respostas que ela não podia dar. E do quanto fui infantil em muitos momentos, cobrando dela respostas que ela também não podia dar. Minha mãe é minha melhor amiga, embora muitas vezes me exija mais do que eu sempre acho que posso dar. Mas sei que ela é assim, querendo fatos e estórias, com pressentimentos e curiosidades. com posse, com amor e muito cuidado. E eu me sinto triste de pensar que eu, borboleta, não passarinho, pousei n’outro lugar.

Mas eu só queria dizer, que eu vendo um filme (são sempre eles…), repito:

“a mother is GOD in the eyes of a child”

And THAT should be enough.

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Para Júlia

Quando eu era pequena, eu queria que minha filha se chamasse Vitória. Daí foi lá o meu tio e copiou a minha idéia mental. E nasceu minha prima Vivi. Então eu quis que minha futura filha se chamasse Júlia. Daí foi lá o meu pai e minha madrasta e me copiaram. E  nasceu a Jú. Eu tinha dez anos, e sabia que ela ia ser a minha Barbie. Daí a Cris não deixou muito. Mas eu não me importava. Quando a Cris ia pro trabalho, eu ia lá e trocava toda a roupa da Julia e fazia mil penteados, punha ela toda de cor-de-rosa e deixava ela igual Barbie Malibu ou Barbie vai para Aspen (e etc). Uma vez minha irmã entrou no orkut, e eu deixei um depoimento pra ela, precisamente em 2005. Hoje ela não tem mais, e por isso deponho aqui, pra que ela não esqueça nunca.  Eu disse:

 

“Ela tem olhos amendoados, tão redondinhos como os da Pocahontas. Seu cabelo castanho e liso escorre pelos ombros com o embaraço delicado dos fios de criança. Quando era mais novinha, com brilho de admiração no olhar me dizia: ‘Quando eu crescer vou ter cabelo de mola em mola que nem que tu’. Deus fez ela branquinha, branquinha como a clara neve dos invernos londrinos que eu só vi em sonhos. Quando Juli fala são sininhos agudos como guizos que tocam, como recém nascidos gatinhos que miam com vozinhas melosas. Na minha mão cabem umas três dezenas de pequeninas maõzinhas frágeis e de dedinhos gordinhos de Júlia. E ela tem cinco anos e vem correndo ao meu encontro mostrar as micro unhas pintadas pela primeira vez com orgulho de ser menina e vaidosa como a irmã. De repente está com dez anos e com tantos namoradinhos que papai-panda anda perdendo os cabelos. Encosta seu braço fininho e quebrável ao lado do meu braço gigantesco de gente grande. Com o relógio no mesmo pulso, olho para Júlia e me vejo, meu pequenino espelho. As pernas são como taquarinhas que a qualquer vento balançam e caem. Os joelhos ossudos cheios de infantis remendos guardam as lembranças de todos os tombos graciosos que só são possíveis às crianças. Tem dias que o meu coração aperta, fica assim esmagado de saudade da minha minúscula lagartinha. E então eu lembro que ela tem dois corações: um para amar, e outro, tatuagem divina, para ser amada. Indo ou vindo a minha irmã pulante tem coração. É tão inocente o olhar infante que morde os lábios com enormes dentes de coelho como quem reclama de não estar entendendo que eu sou tomada por uma incontrolável ânsia de tomar-lhe nos braços e apertar e espremer até que ela fique para sempre grudada em mim, para que ninguém no mundo tenha a coragem (ou a corvardia) de causar-lhe a mínima dor.”

TE AMO. Tô esperando meu quadro “Andy“.

P.S.: Eu aguento quantos shows dos Jonas Brothers foram necessários por ti :)

Beijos da Pauli

 

 

 

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“Por favor, matem a Luciana…”

 

Eu não gosto de ver novela. Mas a crise mundial ainda não passou lá em casa, então sem NET ainda. E eu tenho a infindável infelicidade de que quando eu chego em casa a única coisa passando na Globo (único canal que pega razoavelmente bem) é “Viver a vida“. Ai gente, não guento.

Novelinha sem-vergonha hein seu Manoel Carlos? Até a minha vó que é daquelas que senta na frente da tevê quando começa “Malhação”, e só levanta quando termina Big Brother (e ainda assiste as reprises de tarde), já reclamou comigo que esta novela das oito é uma chatice.

E Mél Déls, lembra daquela novela que tinha aquela sem-graça da Maria Eduarda (“Por Amor” – Gabriela Duarte) e tinha até comunidade no orkut:  “por favor, matem a Maria Eduarda”? Então, eu vou começar a minha campanha: “Por favor, matem a Luciana“.

Começou a novela e ela era um porre. Mimada, egocêntrica, barraqueira, invejosa. Tão insuportável, mas tão insuportável, que eu aposto que quando ela teve o tal acidente, alguns milhões de brasileiros devem ter dito: “bem feito“. Ainda assim, tinha um mínimo de personalidade nela. Acho que foi a atuação de Alinne Moraes em seu máximo. Daí depois, ela ficou tetraplégica, mudou COMPLETAMENTE de personalidade e esqueceram de avisar a atriz que a boca pode mexer, tá?

Fica lá ela com aquele bocão sempre estarracado num sorriso bizarro como se ela tivesse feito tanta plástica quanto a Vera Fischer. Tenho a impressão que ela tem medo de que se ela mudar a expressão, o braço vai mexer num reflexo, sei lá. O tempo inteiro com aquela boca repuxada: “oiiiiii paiiiiii, hãhããã”, “oiiii mãee hãhããã”, “miguelito hãhããã”, “estou tão feliz hãhããã”. Fica me lembrando da “Pollyana” (pra quem não teve o desprazer de ler, é aquela menina pra quem a vida só traz desgraça, mas ela tá sempre feliz: caí e quebrei a perna em cinco lugares, mas tô feliz. Urubus gigantes atacaram a cidade e levaram a minha mãe no bico, mas eu tô feliz. Está fazendo um calor africano de 49 graus na rua, mas eu estou feliz. Há Há).

Não quero dizer com isso que as pessoas não devam ser alegres e entendo a mensagem de Manoel Carlos de “há vida depois do acidente“. Mas eu não conheço uma só pessoa no mundo que seja feliz 24 horas por dia, sete dias por semana. E sendo bem sincera, se conhecesse, não confiaria nela. Alguém alheio ao turbilhão de emoções diários que o mundo e as relações trazem, ou está sob forte efeito de Ritalina, ou desprovida de sentir. De qualquer maneira, me dá medo.  

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Dança da Morte

 

Gente, eu não sumi. Vou contar pra vocês o que me aconteceu. Um livro atravessou a minha vida. Eu tive um romance. Um mais longo do que muitos dos que muitas vezes a gente tem. Durou quase um mês.  E foi com Stephen King de novo. Já tinha tido um antes com “Insônia” (que prometi contar a história e sei que estou devendo, não esqueci).

Mas anyway, foram quase mil páginas. E isso me consumiu todos os momentos livres do dia (que não são muitos, mas enfim). Na van, nos cinco minutos antes da aula, antes de dormir, na frente da tevê, estávamos sempre juntos. Eu avisei vocês que eu ia encomendar a versão extendida, e o risco de abandonar o blog enquanto lia era quase certo.  

Bom, a estória é a mesma do livro “The Stand“  (lançado como “Dança da Morte” no Brasil) lançado em 1978, mas segundo o próprio King, a primeira publicação conta com menos de 500 páginas – ele foi obrigado a “cortar algumas partezinhas” do livro em virtude do preço final que a editora queria que custasse. Ou seja, o incrível número de mais de 150 mil palavras foram jogadas fora da edição. Mas ele se cobrou e em 1990 relançou ”A Dança da Morte” com todas as palavras e mais um pouco.

Falando da estória rapidinho, é sobre o ”fim do mundo“. Uma epidemia de gripe que acaba matando quase todos os seres que respiram do planeta (qualquer semelhança com o surto de gripe H1N1 é mera coincidência – achei até meio… nostradamus isso). Sobram alguns poucos e esses poucos vão aos poucos se juntando para virar um montão. Tô brincando. Quer dizer quase. É isso aí mesmo. Mas na realidade, o que vai se revelando ao longo do livro não é só um papinho de apocalipse, mas sim a velha e boa luta do bem contra o mal (ele já havia feito isso em “Desespero”). Eu não pretendo contar o livro todo para vocês, por isso vou apenas dizer que vale muito a pena. A grande diferença entre este livro e a grande maioria dos outros do Stephen King, é que ele começa acontecendo, enquanto os outros normalmente demoram umas cem páginas para acontecer. E é isso que faz o Dança ser tão bom. Porque mesmo nos momentos de maior minúcia, onde ele descreve detalhadamente todo o  histórico de cada um dos personagens, o mundo não pára lá fora.  

Eu não sei como será para todos os outros leitores, mas eu fiquei realmente MUITO triste quando o livro acabou. Quer dizer, eu fiquei namorando ele durante um mês! Vendo os personagens todos os dias, em todo o momento! Eu vivi mil páginas de estória! Pra mim foi tão intenso que quando acabou eu fiquei meio sem pai nem mãe, falei pra minha amiga:

“A., meu livro tá acabando, e agora? O que eu faço?”

“Compra outro, ora.”

Como se fosse a mesma coisa!!!

Bem… Dentre todas as lembranças boas, as três únicas ruins são: 1. O livro é tão grande que é complicado de segurar pra ler deitado, e começa a doer o pulso, e daí a gente apóia ele e sempre tem um lado bem mais pesado que o outro e aí fica tudo caindo e você se perde nas páginas e tem que ficar procurando onde parou e etc etc. Eu preferia que ele tivesse feito a publicação como fez com “The Green Mile”, separando em 5 livros menores. 2. Por ter este tamanho homérico, OBVIO que o livro pesa quase duas toneladas, e sabe o que isso significou para as minhas costas?? É… Quando me diziam que o conhecimento pesa, eu nunca acreditei. Agora eu descobri. 3. Lógico que por ele ser tão monstruosamente grande e tão hipopotamente pesado, ele custa MUITO, mas MUITO caro!! Pagar quase cem reais por um livro é um insulto à classe pobre brasileira (diga-se eu). Tá vendo? Não é que o povo não tenha cultura, ele só não pode pagar por ela.

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Alguém ajuda a Estácio?

Vou fazer um apelo desesperado aqui. Alguém ajuda a Estácio, por favor? É porque não dá mais. Todo o mundo conhece a famosa faculdade Estácio de Sá, certo? Aquela que o Luciano Huck faz propaganda todo o sábado e dá uma graduação de presente pros menos afortunados.

É a faculdade mais bagunçada que eu já vi. De longe. Eu pensei em colocar aqui o telefone do meu campus para que vocês pudessem ligar e fazer o teste vocês mesmos, mas acho que não seria muito delicado. De qualquer forma, vou contar para vocês o que acontece: você liga e caso consiga ser atendido, o que é raro (uma vez cheguei a contar que voltei pra primeira atendente 13 vezes! E a atendente ainda me disse: “é que tem muita gente na secretaria, estão todos ocupados” – sim, e daí você só consegue ser atendido indo lá, que bom né?), você pode fazer qualquer pergunta, QUALQUER, e eu aposto uma caixa de cerveja que a pessoa que atender não vai saber responder (ou no mínimo não pode resolver). Com uma probabilidade bem grande nem o próximo atendente vai saber/poder. Eu seria capaz até de apostar que se eu perguntar o nome deles, ou qual o dia de hoje, ou qual o presidente do Brasil em 1986, a resposta ainda seria a mesma.

O “se vire ou se dane” que acontece muito na Estácio, poderia muito bem ser comparado com o de uma faculdade pública. Exceto que ela não é. É muito bem paga por sinal. E, aliás, não sei pra onde vai tanto dinheiro. Talvez se você bater o olho nela pela primeira vez, até ache que é uma universidade subsidiada pelo governo ou estado, porque alguns campus, juro por Deus, se parecem muito com a Alemanha pós Holocausto. Janelas que não fecham direito, com ar-condicionado estragado ou aqueles que se comparam com uma turbina de avião decolando (e a professora mal consegue escutar a sua própria voz, que dirá a gente), paredes velhas e descascando, computadores que não computam, banheiros que mais parecem conter um zurrilho morto dentro, e a lista só cresce.

Então deixa eu contar pra vocês que eu perdi uma semana inteirinha de aula, porque a atendente me disse que as aulas para calouros só começavam dia tal. Só que eu não era caloura, alias, não sou caloura há uns bons anos, eu sou transferida. Mas como eu tava entrando nesta faculdade, ia acreditar em quem? Então uma informação errada, me valeu uma semana de faltas. Gostou? E olha só, ainda teve a vez que eu perdi uma prova, e tive que fazer uma prova de recuperação, pois eu não sabia da existência de uma tal de prova unificada, que acontece em dias e horários marcados – que não necessariamente coincidem com o dia da aula em questão. Nos avisos no mural, só dizia que essa tal de prova IRIA acontecer, e não data e nem horário. Então fala sério, pra me cobrar a mensalidade, eles me ligam, me mandam mensagem, me mandam e-mail, só falta virem na minha casa, agora pra explicar as coisas importantes, das quais dependem a minha graduação, nem pensar??

E para completar, fui agora na secretaria do campus (tentando ser atendida, lógico) e quando chego, dou de cara com alguns computadores e apenas UMA mesa com atendente. Quando as coisas começaram a apertar para a menina que estava lá, vieram outros rapazes e começaram a atender os alunos/pais EM PÉ! No meio da sala! Claro, porque todas as cadeiras existentes eram pro atendimento “self-service”. E sem a mínima privacidade. Vi alunos que queriam reclamar por terem rodado por faltas e alguns outros querendo negociar o que estavam devendo. Agora me diga, você acharia agradável discutir esse tipo de assunto com o atendente na frente de 20 pessoas desconhecidas? Eu já to ficando confusa sobre quem trabalha para quem ali dentro, sabia?

Por isso, deixo aqui meu pedido em terror e pânico: Por favor, alguém ajuda? Luciano Huck? Que tal fazer um “Faculdade Doce Faculdade” no próximo programa?

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BBB 10

 

Começou mais um Big Brother. Certamente um sucesso de Ibope. Também começou o falatório de quem detesta, de quem diz que é pura bobagem, que denigre o cérebro, que é ridículo demais cuidar da vida alheia. Mas penso que se não tivesse uma boa série de expectadores, não estaria na décima edição. E mais ainda, não teria um canal exclusivo de pay per view. Se olharmos por este viés, tem tanta audiência quanto futebol ou pornografia.

Eu confesso que acho esse monte de gente um pouco hipócrita, sabia? A gente passa o dia INTEIRO olhando para a vida alheia! Cuidamos as compras do carrinho vizinho no supermercado e as sacolas que passam por nós no shopping center. Enxergamos o motorista do carro do lado futucando o nariz quando paramos na sinaleira. Se o cara da porta do lado tem gatos ou cachorros e se ele limpa o cocô do cãozinho quando o leva para passear. Perguntamos ao nosso colega como foi a lua-de-mel dele curiosos para saber se este casamento está indo melhor que o nosso. Nunca viu como o trânsito engarrafa todo quando tem um acidente na estrada? Mesmo que ele seja no acostamento! Queremos saber se a família do Ozzy Osbourne é normal ou é como a nossa, se Paris Hilton fica bonitinha pelada e se o filho do John Lennon é um prodígio como os pais. Quando compramos uma “Contigo” ou uma biografia premiada do Che Guevara, estamos olhando a vida alheia. Quando fuçamos no Orkut dos outros, olhando scraps, comunidades, fotos, é isso que estamos fazendo. Assistimos a documentários sobre “como vivem os guepardos” no Discovery Channel. Todo o mundo quer saber como era Yumi e como os pais dela estão indo. Olhamos pra dentro da casa dos outros, seja na rua ou na revista “Casa Cláudia”. Millôr nunca esteve tão correto como quando disse: “Quando fizer amor, fecha a janela. O amor é cego, mas os vizinhos estão todos de binóculos.” – Já eu digo que estão com a câmera na mão e ainda postam no YouTube para dividir com outros curiosos. Quando vamos a uma galeria de arte e passamos horas admirando fotografias, quadros, esculturas, o que estamos fazendo se a arte representa nada mais do que o interior do artista? (e aí cults, o que tem pra me dizer?). Desde pequenos somos ensinados a observar os outros neste mundo voyer. Comparar a nossa nota com a do coleguinha, olhar se o amiguinho tem piu-piu ou pepeca e se a mamãe dele dá mais atenção (ou brinquedos) que a nossa. É natural. É humano. Vocês estão aqui me olhando. E eu tô olhando aquele bando de gente nos links ali do lado. E o que tem de errado ou ridículo nisso?

Eu tô aqui falando, falando, mas não pensem que sou uma fã incondicional. Sou daquelas que se não estiver fazendo nada e BBB estiver passando, eu vejo mesmo. As pessoas podem até fazer uma birra e desligar a TV para não assistir. Mas olha, duvido que se o televisor estiver ligado e o programa ali passando, não vão sentar e dar uma “espiadinha”. E depois colocar a culpa na esposa: “só vi porque ela tava assistindo e não dava pra eu ver o futebol”. Arrã. Sei.

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